Histórias da Praia da Penha

A Praia da Penha era denominada antigamente de Praia do Aratu ou Litoral do Aratu, (“Aratu” origina-se do termo tupi ara’tu caranguejo, recebe também os nomes de aratu-do-mangue (na Região Nordeste do Brasil) e maria-mulata (na Região Sudeste do Brasil).

Está localizada no litoral sul de João Pessoa, limita-se ao norte com a Ponta do Seixas, cuja divisa é o maceió do rio Cabelo, ao sul com o Polo Turístico Cabo Branco, através do riacho do Aratú, a leste o Oceano Atlântico e a oeste o Planalto Cabo Branco através da PB  008.

Imagens da PraiadaPenha

Constituída por pescadores e pequenos comerciantes, a Comunidade de Nossa Senhora da Penha encontra-se dividida em três aglomerados urbanos: a Beira Mar, a Praça Oswaldo Pessoa e a Vila dos Pescadores.

Dentre as manifestações lúdico-religiosas e lúdico-folclóricas, destacavam-se as festas religiosas de Nossa Senhora da Penha, São João e São Pedro, as novenas e os terços do mês maio. As danças praticadas pela comunidade são típicas do litoral como coco de roda e ciranda. As festas são realizadas à beira-mar e no entorno do Santuário.

Na Praia da Penha está situada a Capela de Nossa Senhora da Penha, que detém um dos maiores acervos de objetos deixados por romeiros na Paraíba. O Santuário de Nossa Senhora da Penha tem uma grande escadaria com 144 degraus que serve de acesso ainda hoje para quem quer descer até a praia. Destaca-se também pelas comemorações tradicionais da padroeira local, a Virgem da Penha. A área é tombada e protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).

Existem três versões que são contadas pelo povo, através de gerações, sobre a origem do Santuário e de como surgiu naquele lugar à imagem de Nossa Senhora da Penha.

Contam que um navio da frota portuguesa comandado por Silvio Siqueira, explorava o litoral brasileiro, vindo do norte para o sul e ao aproximar-se da costa do Aratu sofreu grande avaria em consequência da forte tormenta e o naufrágio parecia eminente, apesar dos esforços e da perícia do capitão. O comandante no auge da aflição reúne a tripulação em oração a Nossa Senhora da Penha, prometendo-lhe erguer uma ermida em seu louvor no local em que conseguisse aportar seguro. Passadas algumas horas o comandante logra êxito e aporta na praia do Aratu. O marinheiro providenciou a construção da capela de madeira topo da falésia no local semelhante onde teve início a devoção popular.  Mesmo após algumas reformas a capela conserva gravada em seu frontal a inscrição “Ave Stela Maris”, como voto do marinheiro.

Após a construção da capela e reparados os danos e avarias da embarcação, o comandante prosseguiu viagem, regressando após seis meses, trazendo uma imagem de Nossa Senhora da Penha, esculpida em madeira portuguesa em estilo barroco francês. Esta imagem foi roubada em 22 de dezembro de 1978. A que se encontra no Santuário hoje é uma réplica da anterior feita por um artista paraibano chamado Manoel de Souza.

Segundo o historiador Cônego Florentino Barbosa, juntamente com a capela foi edificado um convento, cujas ruínas ainda hoje se pode constatar por trás do muro da atual capela das velas. Após alguns anos de funcionamento o convento encerrou suas atividades por falta de assistência e passou a ser utilizado como abrigo pelos romeiros e por isso ficou conhecido como estação de peregrinos e depois como cemitério para os primeiros habitantes do lugar.

ReligiosidadeA capela e o antigo convento foram construídos com materiais característicos da época como pedras vermelhas que formam os arrecifes, superpostas de maneira para não se deixar espaços vazios e foram utilizados argamassa de argila e óleo de baleia. Esse tipo de construção assemelha-se com a da Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo – PB.

Outra versão contada pelos pescadores é a da “Santa e o Cajueiro”. Na realidade, trata-se de uma lenda e não de uma história. Conta-se que uma menina saiu para procurar caju e ao chegar ao pé do cajueiro no local onde hoje se encontra a capela da Penha, encontrou uma imagem de Nossa Senhora da Penha. Ao voltar para casa, a menina conta aos pais, que procuraram os padres e foram até o local indicado pela menina e levaram a imagem da santa para uma igreja. Ao amanhecer a imagem não estava no local, ao voltarem ao cajueiro os padres encontraram a imagem e levaram para a igreja, mas, a imagem voltou ao cajueiro por várias vezes. Assim, acreditava-se que a imagem da santa era viva, por se deslocar sempre para o lugar onde fora encontrada, então a levaram para Roma, trazendo de volta outra para qual foi erguida a capela. Na comunidade, ainda há quem jure ver o tronco do cajueiro no altar onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Penha.

A terceira versão contada é uma narrativa acerca da estátua de um homem e as figuras de um crocodilo e de uma serpente aos pés da imagem de Nossa Senhora. Contam que um cavalheiro vindo em seu cavalo caiu num despenhadeiro. Para se salvar, valeu-se de Nossa Senhora da Penha e conseguiu cair no solo sem nenhum ferimento. Como chamam de penha, pedra em português, ele chamou a Santa de Nossa Senhora da Penha, acrescenta-se que ao cair, ainda apareceu uma cobra enorme, e que ao pedir mais uma vez auxílio a Nossa Senhora da Penha, surgiu um crocodilo que engoliu a cobra. Como forma de agradecimento, ele ergueu uma capela.

As histórias e lendas acerca da origem do Santuário e da devoção a Nossa Senhora da Penha contribuem para aumentar o valor histórico, cultural e místico do lugar.

Mar da Penha

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